segunda-feira, 2 de março de 2015

Greve dos Caminhoneiros - Locaute e a realidade da logística do Brasil






Preciso começar este post diferenciando dois conceitos importantes: Greve e Locaute. Na realidade da "Greve" que acompanhamos nos últimos dias, se transformou aos poucos o que chamamos de Locaute. 


A GREVE normalmente é organizada por um sindicato ou representação sindical que possui pauta e reivindicações claras como objetivo geral. No momento em que a greve, como essa que estamos acompanhando. se apresenta em forma de mobilização, ocupando e fechando estradas, tivemos inicialmente um cenário de GREVE. Porém, após acordo firmados entre os sindicatos e governo, o que se espera de uma categoria de trabalhadores é acatar o que foi decidido por seus representantes sindicais. E já tivemos muitas no Brasil (FOTO de 2012)

Porém, uma parte dos manifestantes atuais não aceitou o que foi acordado e permaneceu nas estradas, o que efetivamente começa a nos apontar para uma conduta conhecida por Locaute. 
O LOCAUTE aponta para formas não democráticas e muito menos claras dos motivos de uma paralisação das atividades laborais. Em grande medida podemos apontar para a existência de outros interesses, diferentes dos apresentados inicialmente pelo caminhoneiros, que poderiam ser manifestações de interesses dos próprios empregadores e empresários. Em teoria, podemos apontar que se de um lado os caminhoneiros estão parados e buscando revindicações (claras em uma greve e dispersas em um Locaute), existiriam também os demais interessados no fim desta paralisação, já que a mesma gera prejuízos para outros setores da economia. Mas, por algum motivo, os demais interessados não estão tendo voz.   

Da minha parte, estou SEMPRE do lado das reivindicações trabalhistas e por mais direitos trabalhistas e sociais. Porém, atitudes como essas em que os caminhoneiros são OBRIGADOS a parar e são ameaçados por outros, é um problema grave. Quando temos colegas ameaçando colegas, algo está errado ver. http://goo.gl/cKUmgX

Realizei um apanhado dos depoimentos divulgados pelas grandes e pqnas midias independentes e identifiquei casos de amaças em TODAS as regiões em que ocorreram as mobilizações. 


O trabalho do caminhoneiro, que chamo gentilmente em minhas aulos de "Chofer de caminhão" - seguindo a música Lisbela do grupo Los Hermanos, deveria ser e muito valorizado no nosso país. 
Escolhemos priorizar estradas e focar de forma burra em um tipo único de transporte e logística (Rodovias, estradas, carros e ônibus). Somos dependentes destas formas de transportes para a economia do Brasil girar com alguma dinâmica e ficamos assim dependentes dos caminhoneiros e motoristas em geral.
Porém, não podemos esquecer que ser motorista do seu próprio caminhão é uma profissão que aponta para níveis maiores de autonomia, sendo portanto um sonho de grande parte dos caminhoneiros. Nunca se comprou tantos caminhões no Brasil, via empréstimo do BNDES Veja:http://migre.me/oPZ3v
O que temos no Brasil é então um quadro problemático: Sindicatos fracos frente as angústias da realidade do caminhoneiro no Brasil. Muitos profissionais e lutando por preços dos fretes que são muito baixos e são oferecidos pelas empresas e demandantes. Assim, temos muitos caminhoneiros que não compreendem a importância de lutar por forças sindicais fortes, para que coletivamente possam lutar por mais garantias. E o pior, uma simplificação das suas lutas e uma atitude contraria as conquistas acordadas pelos seus sindicatos. Preferem alguns continuar numa luta que se arrasta de forma problemática para a realidade do abastecimento ou desabastecimento que poderá ocorrer no Brasil. Debate necessário, para todos nós. e você, o que tem a dizer sobre isso? ID!